Crítica: Tropa de Elite 2

Postado por Adriano Martins em 9.10.10

O cinema estava lotado, nunca tinha visto nada parecido em uma produção nacional. Aliás, o shopping estava lotado, quase não havia vagas no enorme estacionamento e até então, não estava entendendo o motivo de toda aquela movimentação, até que descemos do carro, minha namorada e eu, e começamos a ouvir os comentários ao redor: “Capitão Nascimento”...”Pede pra sair!”...”Você é moleque!”...”TROPA DE ELITE”...Sim, toda aquela gente estava ali por um motivo, ver "Tropa de Elite 2".

A fila da pipoca se confundia com a fila da bilheteria, onde esperançosos espectadores procuravam em vão as poltronas vazias de alguma sessão do filme. Como já havíamos garantido nosso ingresso no dia anterior, só encaramos a fila da pipoca e seguimos para sala. Passado os trailers e alguns minutos do longa, ainda se via gente chegando e procurando os seus lugares, fiz um panorama do local e satisfeito exclamei: Porra, tá lotado! Não que cinema lotado fosse novidade para mim, mas ver isso em uma sequência de filme nacional era novidade.

Quem conhece um pouco sobre o cinema brasileiro sabe o quão difícil foi chegar ao estágio que presencie hoje. No ano de 1992, por exemplo, último ano do governo Collor, apenas um filme nacional chegou ás telas do cinema, “A Grande Arte” de Walter Salles, que foi gravado em inglês, ocupou menos de 1% do mercado. Passamos anos dependendo de migalhas do governo e de bilheterias de filmes da Xuxa e do Didi, para mantermos a indústria cinematográfica brasileira funcionando, e por saber disso me senti orgulhoso, antes mesmo de ver o filme, por estar naquela sala cheia de gente com os olhos brilhando para ver uma sequência tupiniquim.

Não falarei explicitamente sobre o que acontece no filme, não se preocupe com spoilers. Quero falar do conjunto da obra. "Tropa de Elite 2", não descarta a história do primeiro em busca de novas cenas de ação, o longa atual, mais amadurecido que o anterior, tem um enredo mais denso e politizado, porém não deixa faltar os tiros, tapas na cara, bordões e grandes atuações. Wagner Moura arrebenta mais uma vez, ladrão de cena, ele é destaque até parado olhando pro nada. Seu Jorge, André Ramiro, Maria Ribeiro, Tainá Müller, Milhem Cortaz, Irandhir Santos e André Mattos completam o ótimo elenco do longa.

O diretor José Padilha mais uma vez é o grande nome do projeto, corajoso e extremamente competente, ele aumenta a intensidade do dedo na ferida, cria e cuida de tudo para dessa vez não rolar pirataria antes da estreia. Acho que seria mais fácil clonar o José Padilha, do que tirar uma cópia do Tropa 2.

Por fim amigos cinéfilos, ainda estarrecido com o grande filme que assisti, não posso deixar de recomendar e pedir a todos que vejam o filme no cinema. Tropa de Elite 2 é a melhor sequência já feita no cinema nacional, é mais uma prova de que somos capazes de produzir grandes longas e conquistar grandes públicos.

Se missão dada é missão cumprida, José Padilha e sua Tropa de Elite conseguiram cumprir.

Viva o Cinema Nacional!

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1 comentário

  1. Anônimo comentou:

    Voltou e largou tudo denovo? rssrsrsrs

     

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