Por Vinicius Colares

Robert Zemeckis sempre se mostrou um gênio do cinema de entretenimento. Pupilo de Spielberg, foi dele, por exemplo, muitas idéias presentes no filme "E.T. O Extra Terrestre". Estreou na direção com a única cópia de "Indiana Jones" que prestou, Tudo por uma Esmeralda, com Michael Douglas, e criou a trilogia de aventura mais divertida e complexa já feita, "De Volta para o Futuro".


Grandes_filmes
Grandes filmes no Currículo

Mostrou-se muito criativo nos efeitos especiais, em "A Morte lhe Cai bem, Uma cilada para Roger Rabbit" e principalmente "Forrest Gump". Fez um dos melhores filmes de ficção-científica sérios em Contato (o meu filme preferido do diretor), além de ser inventivo na movimentação de câmera em todos os seus filmes, principalmente em "Revelação".

Mas infelizmente, após o enorme sucesso de "Náufrago", com Tom Hanks, ele decidiu se desligar do live-action e se dedicar obsessivamente a animação, mas precisamente ao performance-capture, que consiste na captura dos movimentos corporais e das expressões faciais dos atores, tecnologia que ganhou fama quando foi utilizada para criar o Gollum de "O Senhor das Anéis".

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Como funciona o Performance-Capture

A proposta de Zemeckis era que com a utilização da tecnologia, um ator poderia interpretar o papel que fosse, sem limitações, em sua primeira investida, por exemplo, em "O Expresso Polar", Tom Hanks interpreta vários personagens, inclusive uma criança, e em "A Lenda de Beowulf", Ray Winstone, um ator baixinho, meio obeso e cinquentão viveu o musculoso herói do filme.



A proposta é realmente interessante, acontece que até o momento, os seus filmes ainda não alcançaram o realismo necessário, as peles dos personagens continuam com o aspecto emborrachado, e os olhos continuam sem vida, portanto ainda é melhor transformar um ator através do processo de maquiagem do que pela animação, a cada novo filme sentimos um pequeno progresso, mas não o bastante, tanto que no novo filme "Os Fantasmas de Scrooge", Zemeckis apostou mais na caricatura ao criar o personagem vivido por Jim Carrey, provavelmente por ter percebido que ainda não estava pronto para simular a realidade.

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A animação possibilitou a transformação do obeso Ray Winstone em um herói, mas não conseguiu tirar a aparência emborrachada.

Para piorar as coisas, aparece James Cameron retornando de um hiato de 12 anos para utilizar a mesma tecnologia de uma maneira muito mais inventiva e realista, os Na’vis de Cameron fazem qualquer personagem de "Beowulf" e "O Expresso Polar" parecerem bonecos de stop-motion (repare nos poros da pele e no cabelo deste personagem de Avatar e compare os mesmo aspectos nesta imagem de "O Expresso Polar" e veja a diferença gritante). Além disso, Avatar se tornou um gigantesco sucesso de bilheteria, ao passo que as três animações do diretor tiveram bilheterias medianas, muito abaixo das expectativas e também não foram bem recebidas por boa parte da crítica especializada.

Infelizmente Zemeckis ainda não cansou da “brincadeira” e o seu próximo filme também será em “Performance-capture”, será uma refilmagem de "Submarino Amarelo", dos Beatles com John, Paul, George e Ringo digitais, a viagem psicodélica que o 3D proporcionará poderá ser interessante, mas espero muito que depois desse filme, ele finalmente perceba que a sua praça é o live-action e volte a encantar as platéias com filmes deslumbrantes, criativos e principalmente realistas.

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4 comentários

  1. Jéssica comentou:

    Legal, ótimo texzto, tbm acho que o Bob Zemeckis tewm mmias futuro em filmes com personagens de carne osso, mas achei interessante mesmo é sbaer a verdadeira aparência do ator que fez o Beuwolf!! Que belo físico heim? kkkkkk, eu ri!

     

  2. Rodolfo comentou:

    Gosto muito da sua seção no Sedentário, vim por lá!
    Mas gosto do Zemeckis tanto no live-action qnt na animação, não acho que ele perdeu criatividade nos novos filmes, embora concorde que os antigos eram superiores!

     

  3. Rafa Cruz comentou:

    Expresso Polar é até legal, assisti Beowulf pelo fato de ser fã da mitologia nórdica e Os Fantasmas de Scrooge ainda não vi, mas pretendo (li o livro na minha infância). São trabalhos BONS, mas a tecnologia que o Cameron trouxe em Avatar faz mesmo os filmes do Zemeckis parecerem stop motion. Se eu fosse ele voltava correndo pro live action.

     

  4. Adriano Martins comentou:

    Olá Rodolfo!

    Obrigado pela visita e volte sempre. Este texto não foi escrito por mim, e sim pelo Vinicius Colares, colunista aqui do Cinemando e reponsável pelo excelente http://doutorcaligari.blogspot.com/, passe também por lá!

    Quanto ao texto, nunca foi fã deste tipo de recurso (Performance-Capture) e concordo plenamente com o Vinicius: Zemeckis é bem melhor no Live-Action.

     

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