Cinépolis: Apartheid Alienígena‏

Postado por Adriano Martins em 5.1.10

Por Veny Santos

O Diretor Neil Blomkamp lançou no ano passado, 2009, o filme "Distrito 9" (District 9) com um orçamento de apenas 30 milhões de dólares e repleto de referências ao Apartheid que dividiu a África há alguns anos. Baseado em uma área chamada Distrito 6, onde os moradores sofreram com o Apartheid na década de 70, o longa "Distrito 9" foi construído a partir de um curta produzido em 2005 por Blomkamp (Alive in Joburg). Tanto os depoimentos verídicos encontrados no filme (e adaptados para a realidade dos ET’s) quanto a própria inserção de temáticas políticas e sociais, foram alguns fatores que contribuíram para a criação de uma obra original e bem estruturada. O diretor também contou com a produção de Peter Jakson (Senhor dos Anéis) que já conhecia os comerciais feitos por Blomkamp. Nascido na África do Sul, o diretor Neil Blomkamp mostra originalidade e criatividade com um custo baixo de produção se formos considerar os padrões de Hollywood, e faz de Distrito 9 um dos grandes filmes de 2009.

O filme trata de assuntos políticos e sociais utilizando dos extraterrestres como foco das constantes discriminações adotadas pela humanidade. Como é dito no próprio filme, o fato da aeronave não ter parado sobre alguma cidade dos E.U.A. já me remeteu a uma reflexão cheia (se não inteiramente) de fios condutores plugados a nossa sociedade hipermoderna. O espaço geográfico onde o Distrito 9 foi construído já deixava em evidência o quanto de ajuda e respeito os humanos tinham pelos forasteiros. Em outros filmes como "Independence Day", a ação violenta e direta dos extraterrestres determinaram a postura que os terráqueos teriam diante deles.

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No "Distrito 9" as coisas foram diferentes, as criaturas espaciais estavam acuadas e buscando abrigo, daí vem a capacidade humana de, ao perceber que não mais teme o desconhecido, tratar com extrema arrogância e prepotência aqueles que foram julgados inferiores. A interação entre as duas espécies é, em grande parte, conduzida por interesses individuais. Seja o eterno encanto humano pelo poder bélico ou o peculiar vício (sim, vício) dos E.T.s por comida de gato. Contudo, o diretor conseguiu quebrar aquela primeira impressão de que seria apenas mais um filme de Sci-Fi envolto em uma guerra entre humanos e alienígenas onde lasers “ultra destrutivos” cortam o ar (e os corpos) durante uma sanguinária disputa para ver quem é o mais forte (ou o menos inteligente). A trama se insere em um drama de ramificações muito mais complexas do que apenas a aniquilação de espécies. São postas em jogo as verdadeiras (ou possíveis) ações do homem diante do diferente e até onde chega o nosso respeito e medo pelo desconhecido. O poder, a disputa pela produção intelectual e a corrida para “patentear” as criações dos alienígenas pairam em torno de algumas mortes, mas nada é tão intenso quanto o drama de se ver do outro lado da moeda, ou melhor dizendo, dentro do Distrito 9.

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1 comentário

  1. Rafa Cruz comentou:

    Em minha humilde opinião, Wikus é o personagem do ano em 2009.Distrito 9 foi um filme que me surpreendeu por fugir do óbvio, mostrar um roteiro extremamente bem elaborado e super interessante. O modo como a "invasão" alienígena foi abordado é inovador. É muito engraçado como nossas opiniões sobre determinados personagens são tão flexíveis que passamos de "ódio" para "compaixão" em segundos. Recomendo muito, muito mesmo.

     

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