Papo de Cinema: O Amadurecimento da Saga Harry Potter

Postado por Adriano Martins em 5.12.09

Por Vinicius Colares

Ao lembrar as aventuras em que Potter, Ron e Hermione, ainda crianças se metiam no primeiro e segundo filme da série baseada nos livros de J. K. Rowling, quando nos deparamos com o peso dramático do sexto episódio, O Enigma do Príncipe, a impressão que temos é de estar vendo uma franquia completamente diferente.

No Início Travessuras

Essa evolução da inocência a maturidade, é o maior trunfo da série e vem se mostrando absolutamente eficaz no cinema, não me lembro de ter a oportunidade em outra franquia cinematográfica de acompanhar o crescimento dos personagens principais, e podemos afirmar que os produtores têm total noção dessa evolução e estão tirando o proveito correto (algo raro em superproduções, o mais comum é escapar pela facilidade, ou seja, muitos efeitos especiais e marketing pesado, vide outras franquias como Transformers, por exemplo).

Podemos observar essa noção nas escolhas dos cineastas que estão comandando os filmes, em A Pedra Filosofal e A Câmera Secreta, o enredo ainda tinha um clima infantil, as aventuras ou confusões que o trio se metia eram típicas de filmes familiares de fim de ano, sabendo disso, a direção ficou a cargo de Chris Columbus, famoso justamente por dirigir filmes desse gênero, como Esqueceram de Mim e O Homem Bicentenário, a partir de O Prisioneiro de Azkaban, quando a trama começou a ficar mais sombria, diretores com experiência em dramas passaram a ser escolhidos, o atual diretor, David Yates (que também será responsável pelas últimas partes), só tinha feito filmes independentes, antes de Harry Potter. E certamente J. K. Rowling foi definitiva nessas opções, aliás, não podemos esquecer que essa evolução saiu dela, foi ela que percebeu que as crianças que se tornaram fãs do primeiro livro, invariavelmente cresceriam, então a cada novo livro, ela tornou a trama mais complexa, acompanhando o crescimento dos fãs.



Duas etapas notáveis desse desenvolvimento, acontecem em O Prisioneiro de Azkaban e O Cálice de Fogo, no primeiro, ainda temos uma áurea de história infanto-juvenil, mas o roteiro já flerta com temas mas complexos, inclusive viagens no tempo, já no segundo, além de começarem a dar destaque aos romances, há no final um corte, brutal e definitivo com a inocência da infância, o assassinato do jovem Cedrico Diggory (Robert Pattinson, antes de mostrar que não sabe atuar, na saga crepúsculo).

A Morte de Cedrico Diggory

Até chegar a O Enigma do Príncipe, um filme absolutamente devastador, pesado e repleto de cenas fortes, temos aqui poucas cenas de escape, de alívio, o interesse amoroso de Hermione (Ema Watson, que está se tornando um mulherão) em Ron Weasley é desenvolvido de maneira sóbria e até mesmo o personagem Draco Malfoy que não passava de um “rivalzinho” irritante e metido, passou a ser uma figura trágica fadada a um destino cruel. A trilha sonora também é pesada e inquietante como no novo Batman, em raros momentos ouvimos aqueles acordes criados por John Williams para o primeiro filme e a fotografia é excessivamente acinzentada e fria, em nenhum momento temos uma trégua representada por cores claras e quentes.

Hermione cresceu

Em fim, eu já tinha começado a ler o primeiro livro, mas parei justamente por achar boba e até mesmo uma colagem de situações e personagens que já tinha visto em outros lugares, pois agora pretendo ler O Enigma do Príncipe e As Relíquias da Morte antes da estréia das últimas partes, dependendo de tempo, provavelmente vou ler os outros.

Cenas Assustadoras na Sexta Parte

Além do Cinemando, Vinicius Colares escreve para o Dr. Caligari

*

2 comentários

  1. João Carlos comentou:

    Concordo, a maturidade está cada vez, mas latente, tanto no livro quanto nos filmes e você vai perceber ainda mais quando ler O Último Capitulo!
    Ah sim, a Emma Watson está um pitelzinho!

     

  2. G.sk comentou:

    Gostei do texto, eu tenho a impressão que algumas pessoas reotulam a série de infantil, mas é importante reconhecer a evolução e o crescimento dramático que a aventura teve. Eu gosto muito do livros e filmes, apesar de perceber que nem um nem outro são obras máximas da literatura ou cinema, sei que Harry Potter é sem dúvida um dos grandes destaques dessa década.


    Gostei muito do Post, você escreve muito bem Parabéns.

     

Postar um comentário

Publicidade