Movie-Blogger - Convidado de hoje: Arthur Melo

Postado por Adriano Martins em 16.11.09

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Estamos de volta com mais uma sessão do Movie-Blogger. E o blogueiro convidado para indicar o filme de hoje é Arthur Melo do Pipoca Combo.


Filme: Peixe Grande e Suas Histórias Maravilhosas
Título Original: Big Fish
Gênero: Drama
Direção: Tim Burton
Roteiro: John August,
Elenco: Ewan McGregor, Albert Finney, Jessica Lange, Danny De Vito e Billy Crudup
Ano: 2003
Duração: 125 minutos
País: EUA

Ah, Burton. Não há, hoje, cinéfilo ou acompanhante mínimo das artes que não conheça esse sobrenome. Das artes – sim! – generalizado mesmo, porque o que Tim Burton estampa em seus filmes são impressões lúdicas e surreais de um universo que só existe na cabeça dele que por um acaso lhe muito satisfaz apenas quando dividido conosco.

Há quem o encare como um ícone dos sustos circenses. Besteira. Ok. Não é mentira alguma afirmar que Burton gosta de um escurinho contornando os cantos das suas projeções. Também não dá para fechar os olhos para os aspectos intimidadores de alguns de seus filmes que atraem desavisados pela sinopse inocente (se bem que, dependendo do espectador, mais vale desviar o olhar pro chão mesmo; apenas para evitar ligeiros vexames). A verdade é que essa fluência que o diretor tem com os encantamentos do assustadoramente fantástico repele poucos e sustenta o fascínio de muitos.

Certo. Os dois parágrafos foram uma mera dissertação que patinaram num extenso lugar-comum, que retoma o boca-a-boca de Tim Burtom. Mas o sujeito está longe de ser unilateral. "Peixe Grande e Suas Histórias Maravilhosas" (Big Fish) é, talvez, o mais destoante dos trabalhos de Tim Burton ("A Fantástica Fábrica de Chocolate" não conta porque tem o Johnny Depp, o que mantém alguma linha coerente dos filmes de Burton – e também porque sua exclusão auxilia muito na minha argumentação; dentre outros critérios que não cabem aqui comentar).

No filme de 2003, com Ewan McGregor, Burton apresenta Ed Bloom, um pai sonhador que passou toda a sua existência vivendo e contando suas incríveis (aplique o conceito literal) histórias ao seu filho, uma criança que cresce em meio a essas narrativas e termina por construir uma personalidade estacada em uma total aversão a todos esses devaneios do pai. Só quando os dois – pai e filho – precisam estabelecer uma aproximação anos depois, é que Ed percebe que é chegado o momento de separar realidade de fantasia em suas histórias.

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Obviamente, as narrações das aventuras de Ed são um prato cheio para Burton extrapolar toda a sua veia fantasiosa multicolorida que jamais ganhou espaço em seus outros trabalhos. As sequências são enaltecidas por passagens de profundo sentimento, reflexão e, tecnicamente, pelas melhores armas que o cinema pode utilizar para emocionar; uma dádiva que começa nos cenários recheados de vida própria e finaliza na trilha sonora de Danny Elfman que, não raramente, dá nó na garganta.

Numa análise mais profunda, daria pra dizer que as histórias de Ed no filme não possuem o menor crédito de realidade. Aliás, nem ao menos estabelecem uma continuidade entre elas na maior parte do tempo. E sabe de uma coisa? Funcionou. O filme é veloz por conta disso e que se danem as falhas. O que importa é que no final tudo tem que ter uma importância fora do contexto imaginário. Ou seja, está ali pra algo. Serve.

Está disposto a ver Tim Burton renegando suas origens e deixando de lado tudo aquilo que te fez se agarrar aos filmes dele? Bom, Peixe Grande não vai te proporcionar isso totalmente, mas o susto de ver um mestre do seu próprio estilo se desmanchar vai tocar o terror em alguns aficionados. E sim, isso é muito bom. Se achar ruim, parte pra "Sweeney Todd" depois. Melhor anti-ácido pra isso não vai ter.

Trailer




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3 comentários

  1. Felipe_X comentou:

    Muito boa a indicação! O filme é muito bom e Tim Burton, como sempre dá um show!

    Gostei dessa sessão. Espero mais dicas bacanas como essa. Abraços

     

  2. gabi comentou:

    Peixe Grande tem uma história fantástica, vale muito a pena ver. Bem bacana o texto :)

     

  3. Artur Fox comentou:

    Ja vi muitas pessoas chorando em finais tristes, mas eu quase chorei no final do Grande peixe, e não é bem um final triste, é um final alegre e irreverente, mas não deixa de ser emocionante. Eu quase chorei pois devo ter me identificado com o personagem e pela nova vida que ele dava a todos que tinha conhecido.

    O momento pelo qual o filho descobre o encanto, descobre o sentido das histórias mirabolantes que seu pai o contava.

     

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